Se alguém usou um aplicativo de IA para criar uma imagem nua falsa sua, a culpa não é sua — e isso pode ser denunciado e gerenciado. Veja o que são essas imagens, quais leis e canais ajudam e como apresentamos o seu caso.
Atualizado: 28 de setembro de 2026 · Pela equipe da Traqeer · Informação geral, não é assessoria jurídica
Os aplicativos de “despir” com IA pegam uma foto de uma pessoa real e geram uma imagem nua falsa. Mesmo sem existir uma foto real, é conteúdo íntimo não consentido, e pode ser denunciado. No Brasil, o Marco Civil da Internet responsabiliza a plataforma que não remove conteúdo íntimo depois de notificada, sem precisar de ordem judicial, e o Decreto 12.976/2026 inclui o conteúdo gerado por IA na proteção de mulheres na internet. Nos EUA, a Take It Down Act obriga plataformas cobertas a remover em 48 horas. Conte o seu caso: analisamos, dizemos o que dá e o que não dá para fazer e cuidamos dos pedidos formais.
Os aplicativos de “despir” ou “nudify” pegam uma foto qualquer de uma pessoa real —muitas vezes tirada das redes sociais— e geram uma versão nua falsa. O resultado é uma imagem íntima gerada por inteligência artificial: nunca existiu uma foto real daquele momento, mas a imagem mostra você e foi criada e divulgada sem o seu consentimento.
Por isso ela é tratada como imagem íntima não consentida e como violência digital. Sentir angústia, vergonha ou raiva é normal. Você não fez nada de errado ao publicar uma foto sua.
Nudes por IA ou vídeo deepfake. Esta página trata de imagens estáticas criadas por aplicativos de “despir”. Se o que você encontrou é um vídeo —um rosto montado em outro corpo—, veja a nossa página para remover deepfakes. Muitos casos envolvem os dois, e analisamos tudo junto.
Ninguém pode prometer com honestidade que cada cópia desapareça da internet. O que fazemos é usar cada via que se aplica ao seu caso e dizer com clareza quais não se aplicam. Veja o que podemos remover e o que não. Se você acabou de encontrar a imagem, comece por o que fazer primeiro.
Se a pessoa da imagem tem menos de 18 anos, veja a ajuda para menores mais abaixo: a Traqeer não pode aceitar esses casos, mas existe uma ferramenta gratuita feita para eles.
O art. 21 do Marco Civil da Internet responsabiliza a plataforma que, depois de notificada pela pessoa exposta ou por seu representante legal, não remove de forma diligente imagens com nudez ou atos sexuais de caráter privado divulgadas sem autorização. Não é preciso ordem judicial: a notificação precisa identificar o material com precisão e permitir verificar quem faz o pedido. Vale para qualquer pessoa.
O Decreto 12.976/2026 estabelece diretrizes para a proteção de mulheres na internet e define conteúdo íntimo incluindo o produzido ou manipulado, no todo ou em parte, por inteligência artificial. No caso de conteúdo íntimo gerado por terceiros, as plataformas devem torná-lo indisponível em até duas horas a partir da notificação (art. 7º, §1º).
O art. 218-C pune a divulgação, sem consentimento, de cena de sexo, nudez ou pornografia. Tribunais de primeira instância já o aplicaram a conteúdo fabricado com IA, mas ainda não é um entendimento consolidado; para uma denúncia criminal, procure a polícia ou um advogado.
A Take It Down Act (Public Law 119-12) obriga as plataformas cobertas —sites e aplicativos públicos baseados principalmente em conteúdo dos usuários— a remover imagens íntimas não consentidas em até 48 horas após uma solicitação válida. Ela cobre explicitamente as falsificações digitais: imagens íntimas criadas ou alteradas com IA que resultam indistinguíveis de uma imagem autêntica da pessoa. A obrigação recai sobre as plataformas cobertas pela lei dos EUA: se o conteúdo está em uma delas, é possível enviar o pedido, e na análise verificamos se isso se aplica ao seu caso.
O Google tem um formulário para remover conteúdo sexual pessoal dos resultados, incluindo imagens explícitas falsas, e o Bing tem o seu próprio processo para denunciar imagens íntimas não consentidas. Os dois tiram o resultado da busca, mas a página continua no ar até que o site ou o provedor de hospedagem a remova. As grandes redes sociais e muitos sites adultos proíbem esse conteúdo nas suas regras, mas a aplicação é discricionária e alguns sites hospedados no exterior ignoram as denúncias.
O StopNCII.org gera uma impressão digital (hash) de imagens íntimas para que as plataformas participantes bloqueiem novos envios. Também funciona com imagens geradas por IA, desde que a imagem seja sua, você tenha acesso ao arquivo, ela seja íntima e você tivesse mais de 18 anos nela. Só a própria pessoa que aparece pode enviá-la.
Menores de idade. Se a pessoa afetada tem menos de 18 anos (ou as imagens são de quando tinha), a Traqeer não pode aceitar o caso. Use o Take It Down, do NCMEC: é gratuito e voltado a imagens feitas antes dos 18 anos.
O Take It Down (NCMEC) é uma ferramenta para menores; a Take It Down Act é a lei dos EUA que obriga as plataformas a remover conteúdo íntimo não consentido de adultos.
Apoio e denúncia:
Crise emocional: CVV — Centro de Valorização da Vida — 188: apoio emocional e prevenção do suicídio, gratuito, 24 horas. Fora do Brasil, ligue para o número de emergência do seu país.
Essas organizações são independentes da Traqeer.
O DMCA é o procedimento de remoção por direitos autorais dos EUA. Ele protege quem é titular de uma obra original —uma foto ou um vídeo que criou— e é a ferramenta principal quando vaza o conteúdo pago de quem produz conteúdo.
Uma imagem gerada inteiramente por IA, de alguém que não criou nem vendeu o original, normalmente não é cópia de uma obra dessa pessoa. Uma notificação de direitos autorais seria a ferramenta errada, e uma notificação que declara uma titularidade falsa pode gerar responsabilidade legal para quem a assina. Por isso o DMCA não é o nosso ponto de partida nesses casos.
Existe uma exceção: se a imagem falsa foi criada a partir de uma foto ou vídeo feito por você e cujos direitos são seus, uma notificação de direitos autorais pode ser uma via adicional para as cópias que a reproduzem. Verificamos isso na análise, caso a caso.
Primeiro: a culpa não é sua. Guarde os links e faça capturas de tela com data, sem reenviar a imagem; denuncie na plataforma onde a encontrou e peça ao Google para tirá-la dos resultados. Se quiser ajuda, conte o seu caso. Se houver ameaças ou você se sentir em perigo, procure a polícia ou os serviços de emergência.
É um decreto federal de 2026 com diretrizes para a proteção de mulheres na internet. Ele define conteúdo íntimo incluindo imagens produzidas ou manipuladas por IA e, no caso de conteúdo íntimo gerado por terceiros, obriga as plataformas a torná-lo indisponível em até duas horas a partir da notificação (art. 7º, §1º). Para pessoas de qualquer gênero, o art. 21 do Marco Civil continua sendo a base da notificação.
Pode ser. O art. 218-C do Código Penal pune divulgar cena de sexo, nudez ou pornografia sem consentimento, e tribunais de primeira instância já o aplicaram a imagens fabricadas com IA. Ainda não há entendimento consolidado, e cada caso depende das circunstâncias. Para uma denúncia criminal, procure a polícia ou um advogado.
Em regra, não. Pelo art. 21 do Marco Civil da Internet, a plataforma que, depois de notificada pela pessoa exposta ou por seu representante legal, não remove de forma diligente o conteúdo íntimo divulgado sem autorização responde por isso, e o Decreto 12.976/2026, voltado à proteção de mulheres na internet, inclui expressamente o conteúdo íntimo gerado por IA. A notificação precisa identificar o material com precisão. Em casos mais complexos, um advogado pode pedir uma ordem judicial em paralelo.
Pode valer, se o conteúdo estiver em uma plataforma coberta pela lei dos EUA: a obrigação recai sobre essas plataformas, que devem remover o conteúdo em até 48 horas após uma solicitação válida. Você pode enviar o pedido, ou uma pessoa autorizada pode fazer isso por você; na análise verificamos se isso se aplica ao seu caso. Fora dessas plataformas, valem as leis brasileiras.
Ninguém pode prometer isso com honestidade. O que dá para fazer é pedir a remoção em cada lugar onde a imagem aparece, tirá-la dos resultados de busca e pedir a remoção de novas cópias quando aparecerem. Explicamos os limites de cada via em o que podemos remover e o que não.
Seu caso é lido apenas pela equipe da Traqeer e tratado com confidencialidade. Respondemos por e-mail o quanto antes. Nunca nos envie as imagens: um link basta. Veja nossa política de privacidade.
Enviar este formulário não nos autoriza a agir por você. Se decidir seguir após a análise, você assina uma autorização separada para que a Traqeer apresente os pedidos como sua representante (Take It Down Act, seção 3(a)).
A Traqeer não é um escritório de advocacia e estas informações não constituem assessoria jurídica; para o seu caso concreto, consulte um profissional na sua jurisdição.
Última atualização: 28 de setembro de 2026.